Sul Fashion Week | Entrevista Belmondo

Posted on 17/06/2011 por

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Marca surpresa, novidade aplaudida por nós. A Belmondo nasceu em 2010, no Estado de Santa Catarina com o desejo da livre expressão de suas criadoras Camila Martins e Paula Hemm. Autêntica e de uma espontaneidade nata elas transpõem para as coleções toda a autenticidade da qual respiram.

Nossa entrevista também foi uma apresentação. Um prazer conhecer de perto mais um trabalho de tamanho nível criativo.

Como foi a origem da marca?

Camila: A marca surgiu no ano de 2010. A princípio a nossa idéia era fazer uma marca masculina, depois, pelas nossas referências a gente pensou em fazer uma marca que tenha uma característica mais unissex. O que aconteceu é que as meninas começaram a comprar mais que os meninos justamente por ser um tipo de roupa que ainda se vê pouco no mercado.

Unissex se caracteriza por produtos sem um gênero exposto, sem uma sexualidade evidente…

Camila: É, na verdade o unissex acaba sendo provocante de outra forma. Em todo o nosso direcionamento visual a gente trabalha uma idéia um tanto lúdica e as meninas acabam se identificando um pouco mais. Hoje acaba investindo mais no feminino do que no masculino. No masculino a gente continua só com as camisetas.

Sendo jovem e autoral, como que a marca se posiciona no mercado?

Camila: Isso vai vindo aos poucos, mas a gente já pensou…

Paula: Mas a gente já pensou em vários caminhos, já pensou em vender por representantes, já tentou vender de outros modos, mas a gente chegou à loja online e estamos nos posicionando aí. A gente abriu com loja online, mas pensando em abrir outros mercados. Ela aumenta o nosso público, não fica só Florianópolis, ou só uma região onde teria representante.

De onde vem o nome Belmondo?

Camila: Belmondo foi uma sugestão do meu namorado, por que a gente estava procurando um nome que fosse sonoro, que remetesse a algo, mas que tivesse sonoridade, ele sugeriu Belmondo por causa do ator Jean-Paul Belmondo da Nouvelle Vague. Ao mesmo tempo a sonoridade de Belmondo lembra várias palavras como “belo”…

Paula: Como “belo mundo”, tem também uma ligação com o masculino, tinha também um ar mais estranho, da figura não tão bonita do Jean-Paul, do diferente.

Ter um sistema de vendas no formato e-commerce já fez vocês pensarem num mercado global?

Camila: Primeiro ela precisa ser nacional. Mas sim, a gente tem uma aceitação bem  grande das pessoas que conhecem a marca, elas costumam se encantar bastante. Mas esse primeiro momento é mais difícil de ir contruindo algo.

Paula: Global tem que ter várias outras coisas, tem que ter fidelidade. Várias características que levam tempo. Mas por ser site isso pode acontecer em algum momento. A gente já teve contato de Portugal por exemplo

Como que é estar nesse evento?

Camila: A nossa aproximação com a Revista Catarina começou no ano passado, quando foi feito o evento Catarina Open House, quando fomos convidadas, também a Vish!. A gente fez o lançamento da coleção lá e aí já começou uma parceria. Foi super boa a nossa recepção, eles gostaram bastante da nossa marca.

Que bom que o evento valoriza novos designers…

Paula: Exatamente. Também é um evento novo, isso é interessante pra dar um frescor. Acho que tem que ter novas propostas, novas visões. Tanto que se colocou no projeto uma nova visão: “vamos fazer algo diferente que não existe na cidade, não tem no sul do país”

É válida a preocupação de vocês em fazer algo que seja autoral e daí a importância de vocês.

Camila: Desde o início a gente se preocupou com isso. Quando a gente pensou em fazer a marca, a gente pensou em convidar pessoas que eram boas tanto pra criar a marca, desde a logo, mesmo com um capital superpequeno nós investimos nisso, no site, na comunicação.

Paula: Essa também é uma preocupação da Belmondo, de fazer uma boa comunicação, de fazer um bom material visual. Acho que isso demonstra todo o nosso carinho em fazer. São todos os nossos discursos.

Como que vocês se sentem no mercado? Vocês sentiam essa liberdade de expressão na indústria, ou a marca surgiu da necessidade de expor uma identidade?

Camila: A marca cresceu como uma possibilidade de “ah, por que não”. Começamos com camiseta, até pelo próprio capital que dispúnhamos. E por que não fazer alguma coisa que a gente acha que é bacana e que acha que as pessoas também podem achar legal.

Paula: Mas existe também essa questão, a gente nem sempre tem uma abertura e havia uma necessidade de fazer coisas que a gente gosta de verdade. Hoje a gente percebe que tem várias empresas que aceitam o olhar do estilista, o nosso olhar. Varias pessoas vieram aqui pra ver esse novo olhar. Acho que é uma questão de tempo mesmo. Nem todo mundo é designer, nem todo mundo é administrador, tem que entender a linguagem de cada um.

Camila: Mas isso ainda é muito recente.

Paula: Uma marca é complexa também. Tem que vender também, não é só sonho. Se tem um investimento e esse tem que vender pra continuar a marca.

Camila: Por exemplo na Belmondo, o projeto inicial era o masculino, mas o público masculino ainda é um pouco mais difícil pra aceitar uma proposta nova e pra consumir. As meninas são mais consumistas. Homem vai lá e compra, mas geralmente ele pensa em casa “eu preciso”, claro que tem exceções.

Paula: Uma das coisas que nos mantém no masculino também é que eles são bem fieis, eles cobram, até mais que as mulheres. A gente tem um feedback bom com o masculino.

Como que é a previsão de futuro? Existe uma projeção ou o processo deve acontecer mais naturalmente?

Camila: Vai ser mais natural, até por ser uma marca pequena e tudo ser muito recente.

Paula: A gente vai experimentando e aumentando, colocando mais peças.

Marcas novas, novos designers costumam ter espírito colaborativo. Vocês também têm essa característica? E como vocês vêm essa colaboração?

Paula: Desde o início são muitas pessoas trabalhando, amigos, namorado, família, todo mundo junto pra ajudar a fazer sair às fotos e tudo mais. Legal é que a cada trabalho aparecem mais pessoas querendo ajudar. Isso é muito gostoso. Tudo é colaborativo, todo o material que a gente faz tem mão de várias pessoas, que acreditam e que estão lá porque acham que vai dar certo.

Sobre esta coleção, de onde ela nasceu?

Camila: Essa coleção é sobre o “O Silêncio dos vulcões”. Fazia um tempo que a gente queria trabalhar com o Leonilson (José Leonilson, 1957-1993). Gostamos muito do trabalho dele. “Ai que bom, chegou a hora de fazermos uma coleção sobre o Leonilson”.

Falem sobre o Leonilson:

Paula: O Leonilson é uma artista, geração 80. Ele teve uma história interessante, ele adorava colecionar, adorava viajar. Para mim Leonilson é muito sentimento.  Nós fomos até a exposição, em SP quando estávamos criando. Como é uma relação muito sentimental é até meio difícil de ser explicado com palavras muito certas. Como dizia o título da exposição “Sob o Peso dos Meus Amores”, tudo que ele fazia tinha uma relação com a sua vida, com o que ele pensava e aquilo remetia a coisas da minha vida e a Belmondo tinha muita relação com esse sentimento.

Camila: O Leonilson, como a Paula falou, era um colecionador. Por onde ele viajava ele pegava cartão postal, agendas, e tudo isso fazia parte da esposição como se a gente fosse convidada a percorrer aquele caminho e entrar daquele mundo. Tudo feito com uma linguagem muito simples, ele usa palavras apresentar…

Paula: A Belmondo também se vê assim na verdade, não tem o over. A gente busca ser simples.

Camila: As nossas modelagens não passar de três moldes, embora pareçam complexas. Agora que a gente trabalhou com policromia, mas também não é uma coisa evidente, como “isso é um vulcão”, entendeu? Convivendo com a Belmondo você vai entender que isso é um vulcão.

Paula: Tem muita coisa feita à mão.

Camila: Existe um certo lirismo, típico do Leonilson. E outra coisa muito bacana. O Leonilson é um artista muito legal, mas não tem aquela coisa blasé “ah, isso aqui é arte”, isso também não é uma preocupação nossa, nós não queremos fazer roupa pra “arrazar”…

Paula: Nossa preocupação nunca foi essa né?! A gente faz tudo com amor.

belmondostore.com

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