Sul Fashion Week | Entrevista Alamo e Firmorama

Posted on 14/06/2011 por

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Sabe o que mais nos deixa feliz? Expressão livre e aguçada de quem tem algo de si para além de si… A Alamo e o Firmorama nasceram desse suposto movimento expressivo e comprova a cada dia o talento que têm, cada qual com sua atividade criativa, de ser uma identidade mais que produtos. Dito isso, vamos ao papo com Dani Stuart, da Alamo, o Jackson Peixer, do Firmorama e o fotógrafo Humberto Furtado:

O que dizer sobre a Alamo além do que já conhecemos?

Dani: A marca Alamo está no mercado faz seis meses e a gente está na segunda coleção. A nossa proposta sempre foi trazer alguma coisa diferente e a gente encontrou essa diferença no design gráfico do estúdio Firmorama. A Alamo tem como um dos pilares principais o design gráfico de ponta, além dos atributos que a gente foi buscando pra marca, ela veio pra sair um pouco dessa linha do antigo streetwear e ela ta buscando um caminho que nós chamamos de novo streetwear, que tem um pouco do fashion e não é tão baggy ou surf como outras marcas. Esse é o posicionamento que a gente quer dar.

Como que a Alamo está posicionada no mercado?

Dani: Na primeira coleção, que foi a coleção que saiu no blog, a gente tinha um pop up store e fez a venda só lá dentro. Depois surgiram os dois primeiros parceiros de varejo, uma multimarcas em Jaraguá do Sul que se chama Voilá e a DiverTees em Balneário Camboriú, no Shopping Atlântico, que é um quiosque só de camisetas. A nossa prospecção é aumentar o número de pontos de varejo, apenas um em cada cidade, com o cuidado especial com a escolha dessas lojas, não fazer algo meramente comercial e mercantilista. A gente quer fazer uma coisa que tenha a nossa.

Você falou de novo Streetwear, a gente percebe que a Alamo tem um lifestyle meio Califórnia, vida sossegada…

Dani: A gente tem a tagline da Alamo, living now, que é justamente esse negócio de aproveitar o momento, estar com os amigos, qualquer hora é hora. É o que a gente realmente faz. Quantas vezes a gente fica até oito da noite no estúdio, sai e vai tomar uma gelada, ou dar uma banda de skate… E a gente percebe que a moda antes era uma coisa meio de gueto e não tinha o meio termo.

Jackson Peixer: Ou era um patrocínio de grandes marcas, de logos muito estouradas, e a gente já chegou a passar dessa fase streetwear que ou era skate ou era surf. Não tinha muita escolha. Você ia numa loja e era uma marca como as dos atletas patrocinados, com logos grandes, ou peças grandes, que não caíam bem. Era tudo muito standard. Então a Alamo, para nós do Firmorama foi uma maneira de fazer algo que a gente sempre quis fazer, foi como um laboratório para a gente.

Para vocês do Firmorama, também era algo que faltava?

Jackson Peixer: Para nós do também, Tanto que hoje a gente até briga pra ver quem vai usar a camiseta, porque todo mundo tem todas.

Dani: É incrível, é uma parceria, tanto que o estúdio fica na frente da Alamo. A ideia era justamente trazer essa inovação. A primeira foto da Alamo foi feita pelo Humberto, meu amigo de infância, nela aparece a Alamo escrita em algum lugar. A Alamo já era um projeto de uns cinco anos, teve um ano para preparação e depois o lançamento. O estúdio fez todo o branding da marca antes do lançamento.

Vocês já se conheciam antes?

Jackson Peixer: Não. O Dani soube através da namorada dele que haveria uma palestra do estúdio, ele ligou para a gente falando que queria fazer uma marca de camisetas e a gente até pensou “deve ser mais um”, porque a gente já recebeu bastante desses convites até pelo know how em estamparia que temos por ter trabalhado em indústria têxtil. A gente falou para o Dani “vamos parar a tua ideia por enquanto, amadurecer ela durante um ano e trabalhar esse projeto de branding, trabalhar a tua identidade, o que tu acredita”. Foi um processo bem intenso. Disso a gente chegou numa síntese que é a Alamo, ou seja, a Alamo é uma expressão do que o Dani acredita, então não tem como não respirar autenticidade.

Dani: No final já nem era só o que eu acreditava.

Jackson Peixer: Hoje o processo é muito natural, o Dani vai no estúdio e a gente conversa sobre o tema da coleção, não um tema baseado em tendência ou algo assim, mas em coisas que a gente acredita, vê em livros, revistas… São brainstorms quase diários.

Para uma marca com esse perfil autoral, com toda a identidade que a Alamo tem, como é o mercado?

Dani: O mercado está receptivo, claro que a gente tem muito a melhorar. A gente está indo devagar, um processo mais orgânico, sem pressa.

As coleções são lançadas em que temporalidade?

Jackson Peixer: a gente ainda está ensaiando uma sazonalidade. Mas as coleções estão acabando rápido e o Dani já está começando a pensar em outras coleções.

Dani: A gente está meio fora desse ciclo, as marcas estão lançando verão 2012 e nós lançamos o que foi feito há um mês e meio atrás.

Sobre Santa Catarina, o que vocês acham sobre a moda no estado? No que vocês acreditam para essa construção de algo autoral dentro do estado?

Dani: A gente adora o Estado e a gente tem orgulho de ser daqui. Tanto que a gente pensa em algo para a próxima coleção, sem folclores. Esse evento (Sul Fashion Week), por exemplo, veio para conectar pessoas.

Jackson Peixer: a questão de ser catarinense é muito forte dentro do estúdio também. O povo tem certa curiosidade em saber como a gente se mantém com design em Jaraguá do Sul. Nós saímos do meio industrial, que acabava bloqueando o processo criativo, tendo que todo dia fazer a mesma coisa, bater crachá. Depois disso a gente abriu um escritório em casa mesmo, começamos a trabalhar para fora do Estado e o prestígio que a gente começou a ter lá fora acabou vindo para cá. Foi até meio natural, sem explodir demais. Hoje o Estado já está melhorando, mas ainda tem muito que caminhar. Uma das coisas que deveria mudar: as empresas abrirem as portas para profissionais que estão interessados em dar uma chacoalhada na coisa toda. É muito tradicionalismo e dificuldades. Algumas empresas já estão começando a abrir esse espaço. A gente vê que as empresas estão começando a perceber essa necessidade. Quem não for colaborativo está fadado, ou ao esquecimento, ou a percepção por parte do cliente de que muitas marcas não têm autenticidade. A gente sempre troca essas idéias de que as empresas têm que buscas essa identidade de ser catarinense, não de uma maneira clichê, como o Dani falou “sem folclore”.

Dani: Acho que nós que vamos mudar isso, essa turma trocando idéias.

Quando a gente conheceu a Alamo um dos primeiros comentários foi “parece coisa de amigos”…

Jackson Peixer: e é de fato.

Dani: Todo mundo se sente um pouco parte da coisa, e realmente é.

Jackson Peixer: Quem não tem verdade pra contar, transparece isso. Tudo tem que ser muito verdadeiro.

Nós vemos que quando a marca tem um perfil muito bem definido e com o e-commerce tão presente a internacionalização da marca é mais possível. Vocês pensam nesse mercado internacional?

Dani: A gente ainda não tem estrutura para atender, mas um contato ou outro sempre acontece. A Alamo acaba se comunicando um pouco em inglês e isso deve facilitar uma comunicação internacional no futuro.

Jackson Peixer: A gente tem que cuidar, às vezes, pra não divulgar muito lá fora para não abrir esse mercado agora.

Existe uma projeção para o futuro?

Dani: a ideia é botar outros produtos no mix, tricô, por exemplo. Agregando um pouco no mix, devagar. Envolvendo nossos amigos. Aumentar os pontos de venda, quem sabe abrir um e-commerce sem prejudicar os pontos de venda.

Algo mais a dizer sobre a Alamo?

Humberto: Eu vejo na Alamo, não só uma preocupação com o produto, mas sim o conceito. Eu acompanhei desde o início, quando ela surgiu num momento ócio criativo, de pensar, estudar. Esse conceito o Firmorama leu e rolou uma conversa muito boa visível nas estampas.

alamoind.com

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